Os 10 melhores filmes de 2015, ou quase isso

  Depois de examinar a relação dos filmes lançados em 2015 percebi que o ano também foi difícil pra exaltar o cinema, pois, como sempre, as estreias esbanjavam heroísmos no mundo do cromaqui, o mais do mesmo humor nacional e o retorno daquilo que já foi sucesso em outra época. Dos 422 títulos, consegui ver apenas 49 (mesmo que tenha a intenção de assistir outros 20) e selecionei 16 para ordenar 10.
  Sempre usei como critério a intensidade de minha admiração pela obra e o modo com que ela instiga os sentimentos (sim, o cinema tem esse poder), mas como nesse período a convicção não foi tão frequente, resolvi fazer a escolha por ordem daqueles com maior possibilidade de assistir novamente. Então, eis que surge a relação dos 10 melhores filmes, ou quase isso:

Whiplash – Em Busca da Perfeição (Whiplash - Damien Chazelle - USA)
1. Whiplash – Em Busca da Perfeição (Whiplash - Damien Chazelle - USA)

  Foi um grande momento de sair da sala de cinema e dizer: “Uau”. Como pôde um jovem diretor chegar tão próximo à perfeição mostrada? Mesmo com tema familiar, são 107 minutos de pura tensão num filme super bem roteirizados com ótimas atuações e de quebra uma trilha coadjuvante fabulosa.

Birdman Ou A Inesperada Virtude da Ignorância (Birdman Or The Unexpected Virtue of Ignorance -  Alejandro González Iñárritu - USA )
2. Birdman Ou A Inesperada Virtude da Ignorância (Birdman Or The Unexpected Virtue of Ignorance - Alejandro González Iñárritu - USA)

  Todos os créditos merecidos ao Iñárritu, depois de sua “Trilogia da Morte” e o rude Biutiful, por sua critica a indústria do entretenimento nesse falso plano sequencia que expõe vários assuntos complexos numa integridade técnica indiscutível. Seria o primeiro se não provocasse aquilo que estava disposto: incomodar.

Que Horas Ela Volta? (Anna Muylaert - Brasil) + Casa Grande (Fellipe Barbosa - Brasil)
3. Que Horas Ela Volta? (Anna Muylaert - Brasil) + Casa Grande (Fellipe Barbosa - Brasil)

  As duas produções brasileiras estão juntas porque ambas debatem o evidente contexto classista que sempre esteve impregnado no país de uma forma concreta e até bem humorada. De um lado, a elite paulistana é resumida nessa poderosa e modesta produção de Anna Muylaert. Do outro, Fellipe Barbosa mostra as ruínas de uma família carioca nos olhos de um garoto que questiona seu estilo de vida. São merecedores de atenção como exemplos para reflexão do mundo mais próximo que vivemos.

Divertida Mente (Inside Out - Pete Docter e Ronnie Del Carmen - USA)
4. Divertida Mente (Inside Out - Pete Docter e Ronnie Del Carmen - USA)

  A Pixar novamente se supera ao usar todos os recursos visuais de uma animação em conjunto com a inusitada ideia de explorar a mente de uma criança. Pode ser que o novo sucesso de Pete Docter não tenha cativado todas as crianças como de costume, mas pode ter certeza que fez os adultos recordarem de seus sentimentos na época mais divertida de suas vidas.

Enquanto Somos Jovens (While We're Young - Noah Baumbach - USA)  +  Mistress America (Noah Baumbach - USA)
5. Enquanto Somos Jovens (While We're Young - Noah Baumbach - USA) + Mistress America (Noah Baumbach - USA)

  Dois longas no mesmo ano de Noah Baumbach repetindo a contemporaneidade do jeito simples e gostoso de Frances Ha (2012). Ambos retratam a divergência das gerações e discute principalmente a originalidade das coisas que produzimos. Nessa rotina incansável pela busca de identidade, podemos até imaginar que alguém quer se o Woody Alen dos novos tempos.

Nova Amiga, Uma (Une Nouvelle Amie - François Ozon - França)
6. Nova Amiga, Uma (Une Nouvelle Amie - François Ozon - França)

  Todo ano François Ozon lança uma película, da qual ele pode acertar muito bem mas nem sempre chama a atenção do publico. No caso de Uma Nova Amiga, é um acerto que não há muito que falar pra não estragar as expectativas. Os seguidores do diretor já podem esperar algo dentro de seu universo com uma surpresa inicial que perpetua muito bem ao longo da trama pelas atuações formidáveis de Romain Duris e Anaïs Demoustier.

Jogo da Imitação, O (The Imitation Game - Morten Tyldum - Reino Unido)
7. Jogo da Imitação, O (The Imitation Game - Morten Tyldum - Reino Unido)

  Todo ano aparece uma biografia cinematográfica inglesa para disputar os prêmios dos principais festivais. Daqueles que vi entre a vida romantizada de Stephen Hawking e até mesmo a sistemática de William Turner, a existência de Alan Turing fez com que deixasse de ser apenas um nome na literatura matemática para ser um humano que merece respeito de seu Estado.

Mad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road - George Miller - Australia)
8. Mad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road - George Miller - Australia)

  Sim, é o filme do ano por conta do retono de George Miller à sua saga, pelos efeitos visuais, pela locação, pelo som, pelo figurino, por Charlize Theron, por Nicholas Hoult e por todos esses elementos condicionados a um ritmo frenético. Estaria no topo se houvesse Mel Gibson, ou alguém melhor como protagonista e Tina Turner cantando na trilha sonora.

Mapas para as Estrelas (Maps to the Stars  - David Cronenberg -  Canadá)
9. Mapas para as Estrelas (Maps to the Stars - David Cronenberg - Canadá)

  Está longe de ser um longa feito com todos os padrões de qualidade hollywoodianos, mas é David Cronemberg e sua oportunidade de criticar as celebridades americanas. Além do afronto quase nada sutil, este ainda conta com a melhor atuação de Julianne Moore, que inferniza com o conforto dos espectadores.

Expresso do Amanhã (Snowpiercer - Coréia Do Sul , França)
10. Expresso do Amanhã (Snowpiercer - Coréia Do Sul , França)

  De várias ficções cientifica exibidas, não poderia deixar de lado o primeiro trabalho ocidental de Joon Ho Bong. Assim como em The Host (2006) o tema principal se dilui e os conflitos sociais tomam conta da história com todos os recursos técnicos mencionados em Mad Max, mas com suas particularidades para torná-lo mais especial.

E pra quebrar o protocolo, seguem mais outros que na minha humilde opinião vale a pena de ser conferido:

Troféu Tarantino do Ano Cidadão do Ano, O (Kfraftidioten)
Troféu O homem do ano para J. J. Abrams Star Wars – Episódio VII: O Despertar da Força(Star Wars: The Force Awakens)
Troféu Este é o mundo que vivemos do ano Dheepan – O Refúgio (Dheepan)
Traféu Love is all we need do ano Amor é Estranho, O (Love is Strange)

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