Alien, o Oitavo Passageiro (1979)

Definitivamente, rever uma grande obra de ficção científica remete à boa oportunidade de avaliar a evolução tecnológica no universo cinematográfico. Por isso, nada melhor que o primeiro trabalho notável de Ridley Scott: Alien – O Oitavo Passageiro, para praticar o olhar mais apurado diante das variações do mesmo tema que assistimos nesses últimos 35 anos. Parece que nem foi tanto tempo assim, não é mesmo? Pois é, o primeiro episódio desta saga foi lançado no final dos anos 70, num período em que o espaço sideral e alienígenas estavam em evidência na concepção dos primeiros arrasa quarteirões americanos, logo após Guerra das Estrelas de George Lucas e Contatos Imediatos de Terceiro Grau de Spielberg.
Mas afinal, o que torna essa trama tão marcante a ponto de criar a série de sucesso sequenciada por James Cameron, David Fincher e Jean-Pierre Jeunet? Por um lado temos o uso do tema peculiar no vasto mundo Sci-Fi, evidentemente impulsionado pela corrida espacial. Muitas das menções científicas do contexto vêm de 2001 Uma Odisseia do Espaço (1968), tão quanto questionar a vida fora da Terra, como discutir a interação do homem com a máquina, do qual o longa também representa a fraqueza humana perante a precisão robótica. De qualquer forma, o sentimento como pretexto de estorvo se torna mais realçado quando entra em cena a criatura supostamente superior, segundo os cérebros eletrônicos. Mas o que de fato importa é o instinto de sobrevivência levado à prova para ambos os seres, uma vez que no espaço não é possível ouvir os gritos de desespero.

Alien (1979)- Tripulação
Alien (1979)- Tripulação

Por outro lado, o aprimoramento do medo no enredo é o suficiente para não tratá-lo somente como ficção extraterrestre, mas sim um grande representante do terror, já que utiliza todos os recursos e padrões do gênero. O mesmo jogo de gato e rato de Halloween (1978), onde o ser indefeso corre sem rumo para escapar das mãos de certa entidade insistente. Porém, seu cenário, onde ocorre a perseguição por algo ainda mais horripilante, é mais elaborado mediante aos vastos recursos técnicos. Na conveniência de ter elenco reduzido a sete pessoas, contendo a maioria homens, ainda assim há a figura da mocinha frágil que se desespera pelos corredores escuros até adquirir forças e confiança para sobreviver a um novo episódio. Assim, Sigourney Weaver se tornou a rainha de seu monstro, tal qual Jamie Lee Curtis, Heather Langenkamp e Neve Campbell mantiveram seus postos nas respectivas franquias.

Sigourney Weaver como Tenente Ripley
Sigourney Weaver como Tenente Ripley

O tempo passa, a tecnologia evoluiu, mas o registro de um filme continua o mesmo, apesar de não chamar a atenção de uma nova geração de espectadores. Talvez seja esse o motivo do presente remanescer a tantos reboots, sequencias e adaptações. Mas vale a pena considerar um clássico ao discernir seu ponto de vista daquele momento a respeito do que poderia se esperar do futuro. No caso de Alien, existem diversas visões avançadas sobre viver longe do nosso planeta quando a imagem padrão da nave espacial deixa de ser exploradora do universo para um simples transporte de carga. A limitação de recursos visuais tem seu mérito de improviso ao ver cenas mais escuras cheias de fumaça ritmadas por barulhos metálicos, gritos e batimentos cardíacos na trilha sonora minimalista. Numa ótica em que o Google se chama Mother dentro de uma cabine cheia de luzes, as ferramentas são representadas por diversos terminais CRTs de modo texto! Ou seja, cada vez mais a produção deixa de ser vanguarda para se enquadrar ao steampunk. Basta comprovar com obras de Fritz Lang e George Pal. Essa percepção também pode ser ainda mais comprovada no filme seguinte do diretor: Bladerunner, O Caçador de Androides (1982). Mas nada disso desqualifica a direção de arte responsável pela criação de cada detalhe no cenário, e claro, numa das monstruosidades mais horríveis do cinema, sabendo que atualmente pode ser feito na base do cromaqui e CGIs (imagens geradas por computador).

Nave espacial Nostromo - Central de pesquisa
Nave espacial Nostromo - Central de pesquisa

O mais gratificante da evolução cinematográfica é a possibilidade de entreter seu público ao apresentar aquilo que é impossível na realidade, mas também viável dentro do estúdio. Neste ponto, o diretor aproveita o que não pôde fazer na primeira versão para contestar algumas interrogações e expandir sua história ao lançar Prometheus (2012), do qual mostra a origem de tudo com direito a deixar portas abertas para futuras continuações.

Prometheus (2012) - Tripulação
Prometheus (2012) - Tripulação

Ridley Scott usa o texto de Dan O'Bannon para criar determinada atmosfera aos passos de Kubrick e seu resultado serve de base pros seus sucessores e muitos outros que irão por vir. Qualquer filme que se mantêm por suas referências compensa de ser admirado. Apesar dos outros gêneros, os clássicos da ficção científica surpreendem aos olhos quando se leva em consideração a complexidade do trabalho numa época onde não teria condições de ser feito em minutos via computador.

  • Título original:   Alien
  • Diretor:   Ridley Scott
  • País:   USA, UK
  • Categoria:   Horror, Sci-Fi
  • Ano:   1979
  • Atores:   Tom Skerritt, Sigourney Weaver, Veronica Cartwright, Harry Dean Stanton, John Hurt, Ian Holm, Yaphet Kotto, Bolaji Badejo, Helen Horton, Eddie Powell

Sinopse:   Quando os sete tripulantes do rebocador especial Nostromo respondem a um pedido de socorro vindo de um planeta deserto, acabam por descobrir uma forma de vida mortífera que se reproduz utilizando os humanos como hospedeiro. Sem saber, eles levam para dentro da nave um mortal e desconhecido extraterrestre. E assim se inicia uma viagem de horror que irá matar seis dos tripulantes e assombrar para sempre a única sobrevivente.

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