A Teoria de Tudo (2014)

Filmes - A Teoria de Tudo (2015)
Eddie Redmayne e Felicity Jones na biografia de Stephen Hawking

A vida de Stephen Hawking, o cientista mais importante de nosso tempo, agora está presente não apenas no best-seller intitulado A Teoria de Tudo, como também em sua adaptação para a grande tela do cinema. O enredo conta a história do físico cosmólogo desde a juventude universitária, retratando sua difícil trajetória causada por uma doença degenerativa, até seu reconhecimento mundial com a publicação das teorias sobre o princípio do universo. A produção notoriamente inglesa é dirigida por James March, conhecido pelo premiado documentário O Equilibrista (2008), seguindo o roteiro de Anthony McCarten com auxílio da própria Jane Hawking, primeira esposa de Stephen.
O drama biográfico deixa de lado a figura do ser acadêmico para focar em relacionamento com Jane. Afinal, ela é a dona da obra que serve de inspiração. O grande trunfo do elenco está nas mãos do casal de atores que tiveram a oportunidade de conhecer e estudar as reais pessoas que remetem aos seus personagens. Eddie Redmayne faz o papel de Stephen, cujo sorriso permanece no rosto até em momentos críticos na briga entre o corpo e o cérebro. A bela Felicity Jones é a jovem Jane em transformação para a enorme mulher por trás de um grande homem. A fórmula já é bem conhecida no mundo cinematográfico quando descreve o matrimônio de grandes ícones. Podemos perceber a mesma situação com John e Alicia Nash em Uma Mente Brilhante (2001), no documentário sobre Saramago, José e Pilar (2010), ou até mesmo em Os Amores de Picasso (1996). Porém, neste caso os maiores impasses são de responsabilidade da esposa por cuidar dos filhos e do marido em condições especiais.
O universo britânico sutilmente acompanha o romance por meio de todos os atributos técnicos suportados por uma magnífica direção de arte, da qual nos transporta pelos prédios de Cambridge aos jardins de Buckingham. A percepção do tempo é mais simbolizada com figurinos de cada década, além da evolução tecnológica usada como suporte na comunicação e transporte do professor.
Além do desenvolvimento principal, ainda há tempo para o contexto ser descontraído através do elegante humor britânico na intenção de amenizar o sofrimento dos personagens. O mais interessante é que os estudos sobre a origem do tempo não são levados em consideração, muito menos debatidos diante à sua obseção por um resultado. Talvez por conta do gênero e público do qual o filme se designa. Outros diretores gostam de usar as teorias de viagem no tempo como argumento em seus roteiros, por muitas vezes na ficção científica. Por exemplo, o norte americano Richard Kelly com o memorável Donnie Darko (2001), e Christopher Nolan no recente Interestelar (2014). Por outro lado, o ponto mais discutido fica apenas na velha guerra entre a existência de Deus contra a ciência reduzida à simples formulas escritas num quadro negro.
Sem muita apelação emocional de um clássico, talvez um pouco, podemos presenciar dois casos de dedicação a um propósito de vida no mesmo longa. Se por um lado temos o objetivo maior em desvendar os mistérios do universo para aprimorar o conhecimento da humanidade, pelo outro lado alguém se destina todo tempo em cuidar de quem se ama. Jane conclui suas forças naquilo que considera a maior criação de ambos: a família.

  • Título original:   The Theory of Everything
  • Diretor:   James Marsh
  • País:   UK
  • Categoria:   Biography, Drama, Romance
  • Ano:   2014
  • Atores:   Eddie Redmayne, Felicity Jones, Tom Prior, Sophie Perry, Finlay Wright-Stephens, Harry Lloyd, Alice Orr-Ewing, David Thewlis, Thomas Morrison, Michael Marcus, Gruffudd Glyn, Paul Longley, Emily Watson, Guy Oliver-Watts, Simon McBurney

Sinopse:   Baseado na biografia de Stephen Hawking, o filme mostra como o jovem astrofísico (Eddie Redmayne) fez descobertas importantes sobre o tempo, além de retratar o seu romance com a aluna de Cambridge Jane Wide (Felicity Jones) e a descoberta de uma doença motora degenerativa, quando ele tinha apenas 21 anos.

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