Jurassic World (2015)

Já tivemos inúmeros exemplos da estratégia cinematográfica em reinventar um antigo sucesso a ponto de desconfiar da mesma garantia na atratividade. Porém, Jurassic World tem todos os meios para encantar uma nova geração de espectadores e se aproximar de sua inspiração, mesmo contra a vontade dos saudosistas. Mas o que podemos esperar de outra sequência cuja franquia já sobrecarregou o tema pré-histórico com duas nem tão aclamadas quanto à adaptação da obra de Michael Crichton? Esta versão aparenta ser diferente das demais frequentes tentativas, porque o contexto mantém relação estreita com seu antecessor além de apresentar pequenas inovações dos tempos modernos. Desta forma, a produção tem potencial para não ser subestimada perante as demais, sem perigo de seguir o exemplo de Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (2008) (não se esqueça que também houve um quarto episódio).

Portão Jurassic Park X Portão Jurassic World
Portão Jurassic Park X Portão Jurassic World

O mais do mesmo já começa com a disposição dos personagens dentro do enredo pouco improvisado. Parte dele é formada pelo lado negro da força, com cientistas e oportunistas donos de empreendimentos providos de funcionários workaholics para manter seus investimentos seguros. Pois é, Bryce Dallas é a figura feminina feita para manter tudo sobre controle, além de ser alvo de criticas construtivas sobre os princípios da vida, das quais ninguém dá muita importância num filme como este. É um pouco confuso aceitar seu chefe, interpretado pelo indiano Irrfan Khan, seja um guru da serenidade enquanto mantém a imagem do poderoso John Hammond. Por outro lado, temos o grupo dos defensores da fauna, liderado pelo novo galã de Hollywood Chris Pratt, que desta vez infelizmente não tem um broto de árvore dançante como companheiro, mas três velociraptors de cativeiro. Seu afeto por esses bichos demonstra que, apesar de agirem instintivamente, podem ser domesticados até adquirir confiança. E como todo grande herói tem seu fiel escudeiro para compartilhar a aventura, o francês Omar Sy se encarrega do papel com o direito de gargalhar em cena só pra dar vontade de assistir Intocáveis (2011) novamente. Considerando a presença do japonês Brian Tee no lado mal da saga, podemos concluir que a produção não poupou em ser exemplo de globalização. Pode ser uma maneira de chamar a atenção dos expectadores fora do universo americano. Por onde andava Rodrigo Santoro nessa seleção?
Outros núcleos humanos menos notórios podem ser divididos em três:
1. As crianças - Os mais sem graça de todo o elenco porque são exatamente réplica de garoto chato tagarela metido a sabe tudo e a irmã sonsa. Ela passou a ser o irmão sonso que faz quase nada além de olhar para garotas.
2. O operador da sala de controle - As piadas devem ser feitas por alguém menos sério.
3. O funcionário mal humorado e preguiçoso - Sujeito que irá se dar muito mal no final da primeira metade da trama (vide a cena do vaso sanitário no primeiro).

Tim e Alex Murphy X Gray e Zach
Tim e Alex Murphy X Gray e Zach

A principal desvantagem das continuações como essa são os efeitos visuais, por mais perfeitos que sejam, não superarem a estupefação dos anos noventa por ver seres tão reais. Sim, os atuais dispensam comentários, mas qual blockbuster de hoje em dia não precisa de pelo menos 50% destes recursos pra existir? Então vamos aos pequenos detalhes para dar mais proveito ao recente: a recordação de um cenário perdido por meio da direção de arte que o fará dizer: “Essa sala não me é estranha”, “Olha esse velociraptor na parede” ou “Eu me lembro desses óculos de brinquedo”. A diversão em ritmo acelerado é certa com envolventes cenas em 3D no familiar desespero da fuga, com a companhia das melodias John Willians, supremo senhor de trilhas sonoras com papel fundamental nesse tipo de produção. O famoso tema original de Jurassic Park continua lá, mas também há composições mais intensas, principalmente quando dois ferozes dinossauros se confrontam (e você achou que isso não iria acontecer?). Além disso, o bom argumento de um novo longa vem de suas teorias, das quais o torna uma ficção cientifica de peso, ao deixar de lado a criação de um ser vivo pelo DNA para discutir algo mais contemporâneo, tal qual a modificação desta estrutura.

O Mundo Perdido (1925) X T.Rex e Indominus Rex
O Mundo Perdido (1925) X T.Rex e Indominus Rex

No meio de tanta diversão e complexidade genética, ainda dá tempo de pensar sobre cinema se notar algo familiar entre uma das cenas de puro caos com Os Pássaros (1963), cuja moral da história pode ser a mesma se acreditar que a natureza é a maior vingança contra humanidade, assim como os dinossauros estão para Spielberg, bem como os pássaros estão para Hitchcock, bem como o ar está para Shyamalan.
Mesmo sendo ficção cujo tema foi muito saturado nas ultimas décadas, ainda haverá um publico novo pra chamar a atenção. Poderia ser mais sombria, porém, é evidente a perda do seu principal publico infanto-juvenil. De qualquer forma, o que mais vale contemplar é a indústria do entretenimento ser critica de si mesma para reinventar a roda. Afinal, o quanto uma corporação é capaz de investir para superar toda a massiva concorrência e conquistar a atenção do seu publico? Qual é a inovação necessária para não voltar a oferecer o mesmo produto de vinte anos? Por outro lado, a necessidade do freguês tem de ser saciada, como turistas em busca de euforia imediata ao presenciar uma vaca destrinchada por uma criatura instintiva. Enquanto as infelizes consequências faz parte deste mundo fantástico, corra pra conferir!

  • Título original:   Jurassic World
  • Diretor:   Colin Trevorrow
  • País:   USA, China
  • Categoria:   Ficção Científica
  • Ano:   2015
  • Atores:   Chris Pratt, Bryce Dallas Howard, Irrfan Khan, Vincent D'Onofrio, Ty Simpkins, Nick Robinson, Jake Johnson, Omar Sy, BD Wong, Judy Greer, Lauren Lapkus, Brian Tee, Katie McGrath, Andy Buckley, Eric Edelstein
  • Site oficial: http://www.jurassicworld.com/

Sinopse:   O Jurassic Park, localizado na ilha Nublar, enfim está aberto ao público. Com isso, as pessoas podem conferir shows acrobáticos com dinossauros e até mesmo fazer passeios bem perto deles, já que agora estão domesticados. Entretanto, a equipe chefiada pela doutora Claire (Bryce Dallas Howard) passa a fazer experiências genéticas com estes seres, de forma a criar novas espécies. Uma delas logo adquire inteligência bem mais alta, logo se tornando uma grande ameaça para a existência humana.

Escreva suas opiniões sobre o texto

Compartilhe